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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pilhas com USB provam que ainda vivemos no passado



Como ninguém pensou nisso antes? Você tem uma pilha, com entrada USB. Ela pode ser recarregada em qualquer lugar que tenha uma porta USB (hoje em dia são inúmeros aparelhos com essa entrada). E mais: além de servir como pilha “comum”, ela pode ser plugada – também via USB – em dispositivos para dar uma vida extra para a bateria!
Essa criação mágica é a Continues. Criação dos designers Haimo Bao, Hailong Piao, Yuancheng Liu e Xaimeng Hu. É, infelizmente você leu a palavra “designers”, ou seja, é apenas um conceito por enquanto, não um produto real.

A “pilha do futuro” está participando do prêmio IF 2011, na Alemanha.  Caso ela seja a vencedora, além dos criadores ganharem uma bela grana (300 mil Euros) o produto pode começar a ser vendido ainda esse ano. Aí vamos poder dizer que “o futuro já começou”.
Ah sim, já existem pilhas USB, mas elas não servem de carga extra via USB para os aparelhos, isso é realmente novo e estranho (será que os dispositivos atuais aceitariam isso?).

via uol e ecoplanet

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Cozinhe usando o sol



Em 2002, a Sun Cook tentou vender um forno que utilizava energia solar para preparar comidas. Não deu muito certo. Mas em 2011 o forninho estiloso volta com força total. O que fez a situação mudar em 9 anos?
Em 2002, termos como “sustentabilidade” e “ecologicamente correto” eram quase que inexistentes. Hoje, como bem sabemos, o mundo está criando uma corrente pelo verde: Comprando de empresas com responsabilidade ambiental, cada um sabendo seu papel para manter o mundo mais limpo e assim por diante. Só por esses motivos o forno da Sun Cook já faz mais sentido agora, mas ele também mudou.
O atual modelo pesa 13 quilos e conta com um timer que funciona através de um relógio solar. A fabricante garante que o forno, por não precisar de combustíveis fósseis ou qualquer outro recurso além da nossa estrela mais querida.
Ele funciona tão bem quanto, ou melhor, que um forno elétrico comum: Como não chega a temperaturas tão altas, os alimentos ficam com mais nutrientes.

Para assar o rango, ele conta com espelhos  que concentram os raios solares e direciona tudo para uma chapa onde são colocados os alimentos.
O Sun Cook custa pouco mais de 200 euros. Talvez seja caro, mas vale lembrar que ele funciona com “nada” de custo.

PS: Mas ainda acredito que o maior motivo para o forno dar certo agora é que, em 2011, a geração que assistiu isso já tem condições de comprar eco-produtos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Torneira limita quantidade de água


Quando você lava as mãos pode nem perceber a quantidade de água que está usando, afinal, a torneira parece ter “água ilimitada”. Para causar o choque de ver quanto você realmente está gastando (sem colocar animais em risco) designers chineses criaram a 1 Limit.
Fruto da mente criativa de Yonggu Do, Dohyung Kim e Sewon Oh, a torneira armazena um litro de água no tubo transparente e limita essa quantidade por acionamento.
Funciona assim: Com o tubo cheio, você vai lavar as mãos e, em média, em 6 segundos o tubo se esvazia. Daí, a torneira fecha e só vai abrir novamente quando o tubo estiver completamente cheio. Nesse tempo você vai poder pensar se é realmente necessário gastar mais água.
Os fabricantes dizem que as torneiras automáticas atuais gastam cerca de 6 litros por acionamento. Utilizando a 1 Limit o gasto seria reduzido em 85% no uso da torneira do banheiro.
A torneira não tem data para chegar no mercado, por enquanto é só um protótipo, mas diferente da maioria dos “conceitos”, acredito realmente que essa ideia precisa e vai sair do papel.
Enquanto isso quem tem TOC de lavar as mãos já sente calafrios…

segunda-feira, 4 de abril de 2011

WWF cria anúncios para alertar sobre a extinção de atum


O atum está desaparecendo do mundo mas ninguém parece se importar realmente com essa triste realidade. Como fazer uma bela campanha de conscientização sem perder o bom humor? A WWF ensina.
Imagens de peixes com mascaras de animais mais “populares” (Pandas, Gorilas e Rinocerontes) foram divulgadas nessa semana para lembrar do risco que a espécie passa.



Flashmob ecológico


Esse vídeo feito pelo programa canadense Testé sur des humains (testado em humanos, em francês) –  que aliás tem um belo site em 3D – mostra o que todo mundo deveria fazer ao ver alguém se mobilizar e limpar o lixo dos outros.
O vídeo mostra algumas informações em francês. Caso você, assim como eu, não seja bom nessa língua tão romântica, aqui vai a tradução das informações:
  1. São 671 mil quilos de plástico produzidos anualmente
  2. 400 milhões de garrafas e latas, que poderiam ser recicladas, vão parar nos aterros de Quebec
  3. Em cada Km² do oceano, existem 18 mil peças de plástico flutuando
  4. 91% dos quebequenses se preocupam com o meio ambiente e você?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nanogeradores e o fim de baterias descarregadas


Cientistas do Instituto de Tecnologia da Georgia apresentaram uma estrutura feita com nanofios de óxido de zinco que pode gerar energia a partir dos movimentos do corpo.
Os nanogeradores foram apresentados ao mundo no 241º Encontro e Exposição Nacional da Sociedade Química Americana. Durante a apresentação foi explicado pelo chefe de pesquisa, Dr. Zhong Lin Wang, que o gerador pode formar correntes elétricas quando dobrado e, o mais provável, é que eles sejam colocados em solas de sapato para gerar energia a cada movimento do nosso pé.
A capacidade de energia é semelhante à uma pilha tamanho AA. Atualmente sua energia já consegue acender uma pequena lâmpada, mas Lin Wang afirma que em 5 anos a tecnologia estará disponível para dispositivos celulares e players de música.
Carregar o celular/ipod durante uma caminhada, quem não quer isso?

sábado, 26 de março de 2011

Japão reconstrói estrada mais rápido que se tampa um buraco no Brasil



Um mês? Muito. Quinze dias? Menos. Uma semana? Menos. Sim, menos. Foram seis dias para a estrada ser totalmente reconstruída. 
Ela é a autoestrada de Kanto, no Japão. A primeira foto foi tirada no dia 17 e a segunda, aí em cima, no dia 23.
A estrada fica em Naka, região de Ibaraki que, como a primeira imagem mostra, também teve grandes estragos por conta do combo terremoto-tsunami.
Surpreendente essa força nipônica, não? Mesmo com todos os eventos tristes que aconteceram e estão acontecendo o povo, além de não entrar em pânico, continua trabalhando normalmente (e rapidamente, nesse caso).
Agora os moradores que querem deixar a região podem sair tranquilos num asfalto da melhor qualidade. Tinha gente dizendo que o Japão iria se re-erguer antes do Brasil construir os estádios pra Copa de 2014, mas eu aposto que vai ser antes da prefeitura tapar o buraco que apareceu na rua aqui do lado.
O Japão sempre nos dando exemplo de superação e progresso...


sexta-feira, 25 de março de 2011

Derramamento de petróleo atinge 20 mil pinguins em extinção

Autoridades estimam que cerca de 20 mil pinguins de espécie ameaçada de extinção foram atingidos pelo óleo
Foto: AP

Um grande derramamento de petróleo de um cargueiro naufragado atingiu pelo menos 20 mil pinguins de espécie em extinção no arquipélago de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul, segundo informações de autoridades locais e grupos ambientais. Mais de 800 t de óleo combustível vazaram do navio, que encalhou na ilha no dia 16 de março. Os 22 membros da tripulação foram resgatados. As informações são do site do New York Times
"A cena é terrível, pois há uma mancha de óleo que rodeia a ilha", disse o oficial de conservação local, Glass Trevor. Até agora, apenas um navio de resgate chegou ao local vindo da África do Sul e sua capacidade de garantir o resgate das aves foi descrito como limitado. Um segundo navio é esperado para auxiliar no trabalho nesta quinta-feira.
Grupos ambientalistas afirmaram que, além do óleo, uma infestação de ratos pode representar uma ameaça para as aves. Eles disseram os roedores, trazidos pelo cargueiro que transportava 66 t de soja do Brasil para Cingapura, pode causar ainda mais danos à vida dos pinguins.
O arquipélago de Tristão da Cunha fica a cerca de 1,7 mil milhas da África do Sul, tornando-o o grupo de ilhas habitadas mais remota do mundo. O local é o lar de cerca de 20 mil pinguins da espécie Rockhopper. Jay Holcomb, diretor emérito do International Rescue Bird Research Center, um grupo de conservação de aves, disse que imagens das ilhas mostraram grandes grupos de pinguins revestidos de petróleo. "Muitos aves estão com o óleo há uma semana, o que limita suas chances de sobrevivência", disse.

via Terra

quinta-feira, 24 de março de 2011

Esses móveis é o que diríamos literalmente "emplacar uma idéia"




Para onde se leva as placas que não servem mais pra nada? 
Essa é uma pergunta que muito pouca gente faz, né? Tim Delger, 
designer norte-americano, criou móveis reutilizando 
estas placas de trânsito. 
Tudo começou quando ele precisava de uma mesa e achou uma 
placa de madeira abandonada na rua. Quando chegou em casa, 
usou ao máximo a peça, tentando criar a menor quantidade 
de retalhos possível. 
Como várias pessoas gostaram, ele resolveu continuar com o projeto.
Se você colocaria isso na sua sala, eu não sei, mas a ideia é boa, 
não é?


terça-feira, 22 de março de 2011


Água: ELA PODE ACABAR

O mundo com sede

Dois terços da população mundial em 2025 não terão acesso à água potável se nada for feito para evitar a escassez




A natureza pode ser irônica quando responde às agressões causadas pelo homem. Exemplo disso é a relação da humanidade com a água, o líquido mais abundante da Terra. Tratamos tão mal nosso planeta que acabamos nos colocando numa realidade catastrófica, de dupla face: ao mesmo tempo que corremos o risco de afogar nossas cidades sob a água salgada do mar, padecemos da falta de água doce.
De um lado, está o aquecimento global, com o conseqüente derretimento das geleiras e a elevação do nível dos mares, que ameaça desalojar bilhões de habitantes das zonas litorâneas. De outro, há o esgotamento das reservas de água potável do planeta. Em outras palavras, estamos chegando à mesma situação extrema de um náufrago, que se vê com água por todos os lados, mas sem nenhuma gota para beber.
Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) repetem o diagnóstico cada vez mais alarmante: mais de 1 bilhão de pessoas - o equivalente a 18% da população mundial - não têm acesso a uma quantidade mínima aceitável de água potável, ou seja, água segura para uso humano. Se nada mudar no padrão de consumo, dois terços da população do planeta em 2025 - 5,5 bilhões de pessoas - poderão não ter acesso à água limpa. E, em 2050, apenas um quarto da humanidade vai dispor de água para satisfazer suas necessidades básicas.

A escassez de água não ameaça apenas com a sede. Traz a morte na forma de doenças. Segundo a ONU, 1,7 bilhão de pessoas não têm acesso a sistemas de saneamento básico e 2,2 milhões morrem a cada ano em todo o mundo por consumir água contaminada e contrair
doenças como diarréia e malária.
A água potável é um bem raro por natureza. Quase 97,5% da água que cobre a superfície da Terra é salgada. Dos restantes 2,5%, dois terços estão em estado sólido, nas geleiras e calotas polares - de difícil aproveitamento. A maior parte da água em estado líquido encontra-se no subterrâneo. Lagos, rios e lençóis freáticos menos profundos são apenas 0,26% de toda a água potável.
É dessa pequena fração que toda a humanidade (e boa parte da flora e fauna) depende para sobreviver. É claro que, a princípio, fontes não deveriam esgotar-se, com o ciclo da água garantindo a permanente renovação do volume de rios, lagos e lençóis freáticos por meio das chuvas, originadas pela evaporação dos mares. A água está em eterna reciclagem, há bilhões de anos. A questão é o descompasso entre o tempo necessário para essa renovação e o ritmo em que exploramos os recursos hídricos.

DESEQUILÍBRIO

O primeiro problema é o desequilíbrio na distribuição - um desequilíbrio que começa pela geografia física e segue pela economia. Alguns países têm muito mais água do que sua população necessita. É o caso do Canadá, da Islândia e do Brasil. Outros são situados em regiões extremamente secas, como o norte da África, o Oriente Médio e o norte da China.
Como resultado dessa má distribuição, um canadense pode gastar até 600 litros de água por dia, enquanto um africano dispõe de menos de 30 litros para beber, cozinhar, fazer a higiene, limpar a casa, irrigar a plantação e sustentar os rebanhos.
As populações que habitam as áreas mais áridas da Terra vivem o que se chama "estresse hídrico", uma reunião de fatores ambientais, como falta de chuvas, e socioeconômicos, como crescimento demográfico alto, que resulta em gente demais para água de menos.
A África Subsaariana não é de todo desprovida de recursos hídricos. Essa parte do continente é atravessada por grandes rios e, ainda que algumas áreas sofram períodos de seca, o índice pluviométrico de boa parte é alto. O problema é que os países da região não têm recursos de infraestrutura para aproveitar mais do que 3,8% do total de vazão de seus rios. Resultado: mais de 94% da água potável volta para o mar sem atender às necessidades da população.
Por essa razão, 22 desses países estão na lista dos 24 com maior estresse hídrico. São nações de acelerado crescimento demográfico e de poucos recursos para proteger os mananciais e oferecer saneamento básico aos habitantes. Em algumas localidades, um homem é obrigado a sobreviver com 10 litros de água por dia - pouco mais que o volume de água que escorre pelo esgoto a cada vez que um brasileiro usa a descarga.
Um dos cenários mais apavorantes de estresse hídrico é o que pode atingir a China, em 20 anos. O país reúne 20% da população mundial, mas detém apenas 7% dos recursos hídricos do planeta. O volume per capita de água ali é de um quarto da média mundial.
Metade do total de 660 cidades chinesas já sofre com a escassez e em 100 delas a falta é extrema. No norte árido, a extração de água do subsolo exauriu os lençóis freáticos. No sul, onde os recursos hídricos são mais abundantes, despejos industriais, de fertilizantes e esgoto doméstico já poluíram as águas dos sete maiores rios e contaminaram 25 de seus 27 grandes lagos. De cerca de 1,1 mil mananciais analisados, 25% apresentam água com qualidade abaixo dos padrões mínimos de potabilidade.
Segundo o Banco Mundial, se persistir a tendência de crescimento demográfico e industrialização, a China terá, em 2030, 30 milhões de habitantes sem água para matar a sede.
A escassez de água se deve, principalmente, ao mau uso que se faz dela. Estima-se que no mundo, de cada 100 litros de água utilizados, 60 se percam por causa de maus hábitos ou técnicas ineficientes. Exemplo disso é o desaparecimento do Mar de Aral, o lago salgado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central.
O lago, que era o quarto maior do planeta, possuia área equivalente à dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas, juntos, era até a década de 1960 um oásis na região deserta. Até que o governo da então extinta União Soviética resolveu desviar dois rios que desaguavam no lago para irrigar plantações de algodão. Hoje, o Aral já perdeu quase 70% de sua extensão e três quartos do volume de água.
O desastre foi completo, com extinção de espécies de peixes e de animais que viviam em suas margens, destruição da floresta que o cercava e supersalinização do solo, tornando-o improdutivo para sempre 
Mapa da escassez no mundo

DESASTRE ABIENTAL

O triste episódio do Aral - considerado por muitos o maior desastre ecológico de todos os tempos - mostra quanto a agropecuária é responsável pela crise. Ainda que as técnicas de plantio e irrigação tenham melhorado, as plantações consomem, em média, 69% da água do planeta. Para produzir 1 quilo de carne bovina são gastos 15 mil litros de água, e 1 quilo de trigo consome 1,5 mil litros.
Além disso, 60% da água usada na irrigação se perde ou porque evapora ou porque volta aos rios e lençóis subterrâneos.
 restante é dividido entre a indústria, que consome 21%, com processos que poderiam ser melhorados, e o consumo doméstico, responsável por 10% do total.


Medidas simples, como arrumar aquela torneira da pia da cozinha que não pára de pingar ou reduzir o tempo de banho, podem resultar em até um terço de economia. Nas cidades, uma boa quantidade de água é perdida, ainda, em vazamentos: as estimativas indicam que algo entre 30% e 70% da água que sai de um reservatório não chega a nenhuma torneira, mas escoa por encanamentos malconservados.


Mesmo regiões regadas por rios e lagos já apresentam disputas por água. Em 1991, a Hungria e a Tchecoslováquia submeteram à Corte Internacional de Justiça sua contenda sobre os desvios e a construção de diques no rio Danúbio, e um acordo foi assinado.Não é à toa que a água é disputada a bala. Há relatos de guerras declaradas em nome da água que datam no Egito Antigo. Segundo a ONU, existem mais de 200 bacias hidrográficas disputadas ou compartilhadas por 145 países. O Oriente Médio é pródigo nessa disputa. Há décadas, israelenses, palestinos, sírios e jordanianos brigam por água.
O motivo da disputa entre israelenses e palestinos são os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos tinham acesso a eles livremente. Mas a ocupação israelense acabou com isso. Israel também ocupou as Colinas de Golã, da Síria, onde ficam as nascentes do rio Jordão. Líderes de países da região, como Egito e Jordânia, já disseram que a guerra é aceitável para defender suas fontes de água.
Assim como esse documento, existem mais de 3,8 mil declarações e convenções unilaterais ou multilaterais sobre o uso da água. Desse total, 286 são tratados e 61 referem-se às bacias ocupadas por mais de um país. É o melhor modo de resolver a questão. Afinal, como a ONU diz, as lutas armadas por água são batalhas em que não há vencedor.
Ninguém tem uma solução mágica para a crise da água. Mas os especialistas são unânimes em afirmar que a única saída é aprendermos a gerir os recursos hídricos. Ainda mais se levarmos em conta o crescimento populacional. Do início ao fim do século XX, o consumo de água aumentou seis vezes - duas vezes acima do crescimento da população no mesmo período.

E a ampliação da população vai exigir mais água daqui para diante. Estima-se que, para alimentar os 8 bilhões de terráqueos em 2030, a produção de alimentos suba 60% - o que requer um aumento de 14% no consumo de água, comprometendo ainda mais o acesso à água para outras finalidades.
O alto índice de urbanização também demandará mais água para as cidades. O aumento da industrialização nos países em desenvolvimento exigirá mais energia, e mais hidrelétricas e barragens serão construídas, alterando o curso de mais rios - o que é um problema não mais só para o homem, mas também para as espécies vegetais e animais.
Segundo a organização ambientalista WWF, apenas um terço dos 177 rios com mais de mil quilômetros de extensão flui livremente para o mar. Barragens e represas, associadas à poluição das águas, colocam mais de 3 mil espécies entre as ameaçadas de extinção. Melhorar as condições sanitárias exige investimentos de 11,3 bilhões de dólares por ano.
Sem isso, a ONU não acredita que seja possível cumprir os objetivos assumidos por 191 países em 2000, na Declaração das Metas de Desenvolvimento do Milênio: estancar a pobreza, a fome, a mortalidade infantil, as doenças e a degradação ambiental até 2015.

A ÁGUA É NOSSA

O Brasil tem água potável suficiente para abastecer cinco vezes a população da Terra. Mas a distribuição pelo território nacional não é equilibrada.
Os números sobre os recursos hídricos brasileiros são um exagero. Os rios que cortam o Brasil carregam 12% do total de água doce superficial do planeta - o dobro de todos os rios da Austrália e Oceania, 42% a mais que os da Europa e 25% a mais que os do continente africano.
Mesmo contando com as épocas de seca, em que os rios reduzem muito sua vazão, temos água para satisfazer as necessidades do país por 57 vezes. Com todo esse volume, seria possível abastecer a população de mais cinco planetas Terra - 32 bilhões de pessoas -, com 250 litros de água para cada um por dia.
Mas, como ocorre em outras partes do mundo, aqui também os recursos hídricos são mal distribuídos: 74% de toda água brasileira está concentrada na Amazônia, onde vivem apenas 5% da população. Uma característica que as bacias têm em comum: todas sofrem com algum tipo de degradação por causa da ação do homem.
Afim de gerenciar os recursos hídricos brasileiros, a Agência Nacional das Águas (ANA) divide o país em 12 regiões hidrográficas, que correspondem a 12 bacias
 Veja o mapa


É com base nessa divisão que o governo federal calcula e gerencia a relação entre a oferta e a demanda de água no país. A gestão da rede hídrica nacional é fundamental para evitar a destruição dos recursos naturais e a repetição dos episódios de racionamento e blecaute que afetaram algumas regiões do país mais de uma vez.
A cada segundo, o Brasil retira de seus rios somente 3,4% da vazão total. Mas apenas pouco mais da metade disso é efetivamente aproveitada e não retorna às bacias. A região hidrográfica que mais consome água é a do Paraná, responsável por 23% do total. Na região Atlântico Nordeste Oriental, onde a maioria dos cursos de água é intermitente, as retiradas superam a disponibilidade hídrica.
Em algumas localidades, a água disponível por habitante não supera os 500 metros cúbicos por ano. Isso significa que cada cidadão da região sobrevive com um volume de água equivalente a um terço do volume que caracteriza o estresse hídrico, segundo a ONU: 1,7 mil metros cúbicos por ano. Como ocorre no restante do mundo, a maior parcela da água consumida no país vai para a agricultura
 veja o gráfico:
Aparentemente, sabemos tirar proveito da nossa riqueza hídrica. Mas ainda não conseguimos gerenciar adequadamente esses recursos, de modo a preservar sua quantidade e qualidade. Exemplo disso é o que ocorre nas regiões hidrográficas Tocantins-Araguaia e do Paraguai. A generosíssima oferta de água transforma a Região Centro-Oeste numa potência agropecuária. Ao mesmo tempo, o avanço das fronteiras agrícolas provoca imensos desmatamentos na floresta Amazônica, alterando o regime das chuvas, comprometendo a vazão dos rios e sobrecarregando os recursos naturais do Pantanal.
Muitos têm acesso à água - na média, 89% dos domicílios contam com abastecimento -, mas poucos possuem coleta de esgotos - 54% dos lares brasileiros. Pior, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnub, de 2006, 20% da população mais rica dispõe de serviços de saneamento comparáveis aos de países desenvolvidos.

No entanto, os 20% mais pobres vivem como o mais miserável vietnamita. O resultado disso é que os rios brasileiros recebem a cada dia, em média, um volume de esgoto doméstico 150 vezes maior que o produzido por uma cidade de 1 milhão de habitantes, como Campinas, no interior de São Paulo. Um terço do total desse despejo ocorre nos rios da bacia do Paraná que cortam áreas densamente povoadas.
Também somos mestres em obter energia a partir da força das quedas-d'água - cerca de 15% da energia que move a economia brasileira vem de hidrelétricas, consideradas limpas por não produzir resíduos ao ser gerada. No entanto, a construção de represas degrada ecossistemas e compromete a vazão dos rios.
Um estudo da organização ambiental WWF mostra que quatro grandes rios brasileiros - Madeira, Xingu, Paraguai e Araguaia - têm o fluxo ameaçado por projetos de construção de barragens. Segundo os ambientalistas, essas barreiras ao livre fluxo da água alteram o transporte de sedimentos e nutrientes pela correnteza, afetando diversos habitats e comprometendo a biodiversidade.

O DESVIO DO VELHO CHICO

De todos os projetos do governo para os rios brasileiros, o mais polêmico é a transposição de águas do São Francisco. O plano é desviar uma pequena parte da água do Velho Chico por canais e tubulações até as zonas semi-áridas do Ceará, de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
As críticas partem de todos os lados: ambientalistas, políticos, engenheiros e entidades de classe como a Ordem dos Advogados do Brasil. O temor maior é que as regiões banhadas pelo São Francisco passem pela mesma degradação ambiental sofrida pelo Aral, que vem secando inexoravelmente desde que dois rios que o abasteciam de água foram desviados para irrigação.
Questiona-se também até que ponto a obra vale a pena, pois beneficiaria apenas 5% da área do semi-árido, de solo pouco fértil, e poderia, em contrapartida, afetar as regiões que já contam com as águas do rio para abastecimento, irrigação e produção de energia. Além disso, os críticos acham que o desenvolvimento do semi-árido não depende de disponibilizar mais água, pois os açudes contêm o suficiente para o consumo.
Eles também não acreditam que a água transposta seja destinada prioritariamente ao consumo humano, em pequenas comunidades, pobres e isoladas, como deveria ser, mas, sim, à agricultura, geralmente nas mãos de quem tem poder político.
O governo garante que apenas o excedente do consumo humano será destinado à agropecuária e ainda se defende afirmando que a obra desviará apenas 1% do total de água que o São Francisco despeja no mar e, com isso, não alterará o abastecimento das regiões com acesso exclusivo ao São Francisco. Ao contrário, atenderá 9 milhões de brasileiros do semi-árido e transformará mil rios intermitentes em perenes.
No fim de junho, um batalhão de engenharia e construção do Exército deu partida à primeira fase das obras, ainda sob protesto e muitas dúvidas sobre sua eficácia e necessidade - dúvidas que persistem há mais de 150 anos, quando a transposição do Velho Chico foi proposta pela primeira vez, em 1847, por dom Pedro II.

UM MAR DE ÁGUA DOCE DE BAIXO DE NOSSOS PÉS
Serra da Gandarela em Minas Gerais: Um das mais importantes reservas aquíferas do Brasil ameçada pela mineração. (Saiba mais sobre ela)

Não bastasse o recorde de águas superficiais, o Brasil abriga também extensas reservas de água subterrâneas - 27 aqüíferos, ao todo.
O principal reservatório é o Aqüífero Guarani. Do 1,2 milhão de quilômetros quadrados de área total, 70% ficam em subsolo brasileiro, estendendo-se por oito estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os restantes 30% dividem-se pelos territórios uruguaio, paraguaio e argentino. Estima-se que o grande lago guarde 45 mil quilômetros cúbicos de água de excelente qualidade, o suficiente para abastecer de maneira sustentável 500 milhões de pessoas, mais que o dobro da atual população do Mercosul. Mas até hoje a exploração dessa reserva foi desordenada, o que leva ao desperdício e à ameaça de contaminação das águas por resíduos químicos provenientes, principalmente, de fertilizantes usados nas lavouras do Centro-Oeste e do oeste paulista.
Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram descobertos mais de 500 poços artesianos abandonados e abertos - o que permite a entrada direta de água de enxurradas. Afim de preservar esse valioso recurso, os quatro países "donos" do Guarani começaram a mapear o aqüífero, estratégico para o abastecimento do Cone Sul.
O Projeto de Proteção Ambiental e Manejo Sustentável do Aqüífero Guarani visa a traçar um plano de exploração num ritmo compatível com sua reposição natural, por infiltração pelo solo.
RESUMO

Água

ESCASSEZ NO MUNDO >> As reservas de água potável estão se esgotando rapidamente no mundo todo. Por um lado, a má distribuição natural dos recursos hídricos pelo planeta faz com que as populações de algumas regiões tenham mais água do que o necessário e outras precisem sobreviver com volume abaixo do considerado aceitável para uma vida saudável. O estresse hídrico - o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de água em determinada região - tem como motivo, também, a poluição dos rios e lagos. A ONU estima que mais de 1 bilhão de pessoas já vivam com pouca ou nenhuma água. As nações mais afetadas estão na África Subsaariana, no Oriente Médio e na China. A carência de água compromete a produção de alimentos, o crescimento econômico e a saúde da população. Cerca de 2,2 milhões de pessoas morrem anualmente em razão de doenças causadas por água infectada.

FARTURA NO BRASIL >> O Brasil detém 12% de toda a água superficial do planeta. Os rios que compõem as 12 regiões hidrográficas brasileiras carregam água suficiente para satisfazer as necessidades do país por 57 vezes. Mas aqui também existe grande desequilíbrio: 74% da água brasileira concentra-se na região da Amazônia, onde a densidade demográfica é muito baixa. Enquanto isso, áreas de alta concentração humana, como Sul e Sudeste, vivem perto do racionamento. E outras, como o sertão nordestino, dependem de rios intermitentes, que secam durante a estiagem. Todas as bacias sofrem, mais ou menos, alguma degradação, quer em razão da poluição por esgoto doméstico ou despejo industrial, quer por devastação das matas ou por atividades de mineração e construção.

AQÜÍFERO GUARANI >> Tem água suficiente para abastecer 500 milhões de pessoas e está sob o solo de oito estados brasileiros. Também é ameaçado de contaminação pela grande exploração desordenada.






segunda-feira, 21 de março de 2011

Cidade de São Paulo recebe nova frota de ônibus movidos por etanol


A maior frota de ônibus do Brasil e uma das maiores do mundo, São Paulo, tem 15 mil ônibus circulando pelas ruas. Agora ela vai ser a primeira do país a ter “busões” movidos a etanol.
No começo, em maio, serão 50 unidades rodando com o novo combustível. “Isso significa uma redução de 50% das emissões em relação ao movido a diesel.”diz o assessor de assuntos ambientais da Secretaria de Transportes, Márcio Schettino. Ele também informa que, aparentemente, o Brasil será o segundo país a ter essa tecnologia “Só temos notícia de transporte público movido a etanol na Suécia.”
Vale lembrar que desde fevereiro a capital paulista já conta com mais de mil ônibus que utilizam 20% de biodiesel no tanque.


via planeta sustentável

sexta-feira, 18 de março de 2011

Casa usa energia gerada por fotossíntese


Estudantes de Cambridge criam projeto de casa com energia alimentada por algas geneticamente modificadas


Atualmente duas formas de geração de energia estão passando 
por problemas: hidrelétrica em Belo Monte, com a escolha infeliz 
do local para ser construída e a nuclear, com as explosões no Japão.
Energia solar e eólica já existem e precisam ser mais utilizadas. 
Mas aí, quando isso acontecer, qual será a matriz energética
 “do futuro”? 
A energia por fotossíntese é uma grande candidata a esse posto.

O projeto, criado pela Universidade de Cambridge (Reino Unido), 
mostra uma casa com a energia proveniente de algas 
geneticamente modificadas.
Com o nome “Casa Das Algas” a construção leva uma série de tubos 
que abrigam as algas, destituídas de enxofre, que produzem o 
hidrogênio que vai se transformar na energia consumida pela casa. 
Para o processo ocorrer sem anormalidades, os pesquisadores 
perceberam que a intensidade da luz dentro dos tubos deveria mudar 
de acordo com o clima da região: Mais intenso durante o inverno
e mais ameno durante o verão.
Os pesquisadores garantem que a casa gera energia para duas 
pessoas com todos os produtos modernos (computador, 
microondas, TV, etc) ligados.
                

terça-feira, 15 de março de 2011

Japão sofre ameaça nuclear



Vista de satélite da usina de Fukushima
Depois dos tremores e da tsunami, o Japão sofre com o risco de explosões nucleares.
As autoridades do país informam que o risco de uma nova explosão na Usina Nuclear de Fukushima é grande. Ela sofreu sérios danos durante o terremoto de sexta-feira (11) e no sábado (12), explodiu pela primeira vez.

O porta-voz do governo, Yukio Edano, afirma que a usina pode aguentar mais uma explosão sem que o reator nuclear seja danificado. Ele também garante que as providências para evitar uma nova explosão já estão sendo tomadas.
Mesmo assim, a Companhia Elétrica de Tóquio (Tepco), já diz que os níveis de radiação em volta da usina já estão acima dos limites permitidos e a tentativa de refrigeração do núcleo com água do mar, não foi eficaz.
O governo informou que todos os moradores da região (cerca de 170 mil) foram retirados da área de 20 quilômetros em volta de Fukushima, mas 19 pessoas estão recebendo tratamento por serem expostas à radiação.
Já pode passar de 10 mil o número de mortos por conta do terremoto e da onda, segundo a polícia do Japão.

Governo precisa justificar Belo Monte para OEA


No último dia 11 a OEA, com sua Comissão Interamericana de Direitos Humanos, deu um prazo de dez dias para nosso governo explicar todas as acusações de ilegalidade na construção da hidrelétrica de Belo Monte.
Isso ocorreu por conta dos mais de quarenta ativistas e entidades ambientalistas que pediram uma intervenção da OEA no caso da usina.
A Comissão pede justificativas sobre o uso de licenças parciais do Ibama que permitiram o andamento das obras. Segundo o Ministério Público Federal, esse procedimento não existe, como falamos aqui. Agora os ativistas torcem para a intervenção da obra por intermédio da OEA para, dessa forma, a construção ser interrompida.
O MPF ainda diz que 29 pré-condições não foram cumpridas, quatro foram realizadas parcialmente e, as outras 33, sequer havia informação. Coisa feia.
Então aguardem mais novidades sobre esse caso por volta do dia 20 desse mês.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Universidade cria sistema para monitorar chuvas em Itajubá - MG



Espero que você nunca tenha passado por isso, mas ficar numa rua enquanto ela começa a alagar é uma situação totalmente desesperadora. Para evitar que você passe por isso quando for visitar Itajubá, pesquisadores da Universidade Federal da cidade, a Unifei, criaram um sistema que avisa quando as ruas da cidade mineira vão ser tomadas pela água.

O sistema funciona assim: Em cada estação telemétrica (espalhadas pelos rios da região) existe um sensor ultrassônico instalado na parte inferior de pontes. O sensor fica enviando uma onda sonora que bate na superfície da água e volta (um sonar), que serve para medir a distância e enviá-la pela rede celular até os computadores da central que, caso percebam alguma diferença significativa, enviam o alarme para pesquisadores.
Além disso, a Unifei conta com um mapa 3D e um modelo de escoamento de água para prever as inundações. Foram investidos R$ 900 mil no projeto que já serviu, neste Janeiro, para que muitos não perderem seus pertences.
No dia 12 de Janeiro a cidade passou por uma grande chuva, que só não ficou pior por conta do sistema. Na madrugada desse dia, o sistema avisou para os pesquisadores que a Avenida BPS iria alagar em algumas horas, pois o Ribeirão José Pereira estava subindo. Eles ligaram então para Nilton Gonçalves de Almeida (diretor da casa civil da cidade) que passou o alerta para a Polícia Militar, o Exército e veículos de comunicação. Com a notícia espalhada e um plano de ação criado pelas autoridades, o estrago foi bem aquém do que poderia ter sido. “Deu tempo de remover a maioria dos carros que estavam na região de risco e avisar os moradores. Algumas casas foram invadidas pela água. Perdas materiais aconteceram. Mas, dos males, o menor”, diz Almeida.
Seria muito pedir que outras cidades, principalmente os grandes centros urbanos do nosso país, começassem a procurar alternativas até bastante simples como essa e pararassem de jogar a culpa de enchentes na quantidade de chuvas?