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terça-feira, 15 de maio de 2012

Com enchente, 228 t de lixo são tiradas de igarapés do AM

Mais de 228 toneladas de lixo já foram retiradas dos igarapés de Manaus
Foto: Altemar Alcântara/Divulgação


ARNOLDO SANTOS
Direto de Manaus
A enchente do rio Negro, que banha Manaus, tem mostrado um lado preocupante dos problemas que a capital amazonense enfrenta. A quantidade de lixo que está sendo retirada dos igarapés que cortam a cidade chega a uma média diária de 25 t, segundo cálculos da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). E nos últimos oito dias, a prefeitura já retirou 228 t de lixo de dentro de igarapés. O trabalho faz parte do SOS Enchente, um conjunto de medidas, lançadas na última semana com o objetivo de diminuir os impactos das cheias na população. A limpeza dos igarapés é feita porque o lixo invade as centenas de casas, tipo palafitas, junto com a água que sobe após as chuvas. 
Todos os dias, 300 garis se reúnem em um determinado trecho de igarapé e retiram toneladas de lixo, principalmente garrafas de plástico. Mas também podem ser encontrados objetos inusitados como sofás, geladeiras e até máquinas de lavar dentro da água.
Boa parte do que é retirado vai para o trabalho de reciclagem, coordenado pela Semulsp em parceria com cooperativas particulares e comunitárias. O que não é aproveitado vai para o aterro controlado da cidade.
O batalhão de garis tem, muitas vezes, de entrar na água suja para retirar o que está na superfície e também no fundo. Para executar a operação de limpeza desses canais, os garis estão usando também três balsas, três barcos empurradores, 10 botes de alumínio com motor de popa, duas pás carregadeiras, duas retroescavadeiras hidráulicas, 10 caminhões caçamba, quatro caminhões baú e quatro ônibus para transporte de pessoal.
Para tentar mudar a situação, cerca de 80 educadores ambientais da prefeitura percorrem as áreas de residências próximas das margens dos igarapés. Eles orientam os moradores a não jogarem lixo diretamente nos canais e a condicionarem os resíduos para serem colocados nos pontos por onde passa a coleta. Mas esta prática não tem garantido que os igarapés de Manaus, que é cortada por três grandes bacias fluviais e que deságuam no rio Negro, não virem depósitos de lixo.

Via Terra

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

China alerta que falta de água ameaça sua economia

Por Leslie Hook | Financial Times, de Pequim


As autoridades chinesas emitiram um grave aviso em relação à escassez de água. No alerta, elas advertem que a situação piora a cada dia que passa e que mais de dois terços das cidades do país estão afetados.
A segunda maior economia do mundo está lutando para enfrentar os custos da degradação ambiental que vem acompanhando o crescimento econômico. O agravamento da escassez e da poluição da água representa uma crescente ameaça ao desenvolvimento econômico e social, disse ontem Hu Siyi, vice-ministro de Recursos Hídricos.
"As restrições das nossas fontes de água disponíveis ficam mais aparente a cada dia", disse Hu. "A situação é extremamente séria em diversas áreas. Com o excesso de desenvolvimento, o uso da água ultrapassou a capacidade de nossos recursos naturais."
"Se não adotarmos medidas fortes e firmes, será difícil reverter as graves escassezes e o agravamento diário da situação da água", acrescentou.
Pequim tentou lidar com a questão por meio de políticas que limitam o consumo, controlam a poluição e aumentam a monitoração de canais remotos. O governo também investiu enormes somas de dinheiro em conservação de água e sistemas de irrigação e gerenciamento, e planeja gastar 4 trilhões de yuans (US$ 638 bilhões) no setor ao longo dos próximos dez anos.
Ma Jun, um ativista ambiental e especialista em água, afirma que as políticas do governo têm ido na direção certa, mas fracassaram em contar a crescente demanda. "Nós construímos todas essas represas, estamos perfurando cada vez mais fundo para atingir aquíferos, muitas cidades estão construindo projetos de desvio de água. Sob certos aspectos, estamos atingindo nossos limites em termos de suprimento de água", disse Ma.
Um derramamento de metais pesados no rio Longjiang, no sul, recentemente pôs em evidência os desafios que o governo tem diante de si enquanto tenta resolver os problemas de poluição da água.
O derramamento de cádmio, que foi encoberto pelas autoridades locais, contaminou mais de 320 quilômetros do rio e tornou-se um grande assunto da mídia. Dois terços das cidades da China têm falta de água, quase 300 milhões de habitantes rurais não dispõem de acesso a água potável e dois terços dos lagos do país apresentam deficiências químicas causadas por poluição, de acordo com estimativas governamentais.
Ambientalistas afirmam que muitas das políticas para a água tiveram impacto limitado, devido à dificuldade em fazer a lei ser cumprida no interior, onde autoridades locais podem dar preferência ao crescimento do produto interno bruto - algo que há muito tempo é levado em consideração para promoções oficiais - em detrimento do respeito às diretrizes ambientais.
Num gesto raro para uma autoridade chinesa, Hu reconheceu algumas dessas limitações. "Se as nossas fracas políticas originais de administração de recursos hídricos forem mantidas, será difícil cumprir as urgentes demandas por água que são necessárias para melhorar a condição de vida das pessoas e para o desenvolvimento econômico", ele disse.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Torneira limita quantidade de água


Quando você lava as mãos pode nem perceber a quantidade de água que está usando, afinal, a torneira parece ter “água ilimitada”. Para causar o choque de ver quanto você realmente está gastando (sem colocar animais em risco) designers chineses criaram a 1 Limit.
Fruto da mente criativa de Yonggu Do, Dohyung Kim e Sewon Oh, a torneira armazena um litro de água no tubo transparente e limita essa quantidade por acionamento.
Funciona assim: Com o tubo cheio, você vai lavar as mãos e, em média, em 6 segundos o tubo se esvazia. Daí, a torneira fecha e só vai abrir novamente quando o tubo estiver completamente cheio. Nesse tempo você vai poder pensar se é realmente necessário gastar mais água.
Os fabricantes dizem que as torneiras automáticas atuais gastam cerca de 6 litros por acionamento. Utilizando a 1 Limit o gasto seria reduzido em 85% no uso da torneira do banheiro.
A torneira não tem data para chegar no mercado, por enquanto é só um protótipo, mas diferente da maioria dos “conceitos”, acredito realmente que essa ideia precisa e vai sair do papel.
Enquanto isso quem tem TOC de lavar as mãos já sente calafrios…

terça-feira, 22 de março de 2011


Água: ELA PODE ACABAR

O mundo com sede

Dois terços da população mundial em 2025 não terão acesso à água potável se nada for feito para evitar a escassez




A natureza pode ser irônica quando responde às agressões causadas pelo homem. Exemplo disso é a relação da humanidade com a água, o líquido mais abundante da Terra. Tratamos tão mal nosso planeta que acabamos nos colocando numa realidade catastrófica, de dupla face: ao mesmo tempo que corremos o risco de afogar nossas cidades sob a água salgada do mar, padecemos da falta de água doce.
De um lado, está o aquecimento global, com o conseqüente derretimento das geleiras e a elevação do nível dos mares, que ameaça desalojar bilhões de habitantes das zonas litorâneas. De outro, há o esgotamento das reservas de água potável do planeta. Em outras palavras, estamos chegando à mesma situação extrema de um náufrago, que se vê com água por todos os lados, mas sem nenhuma gota para beber.
Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) repetem o diagnóstico cada vez mais alarmante: mais de 1 bilhão de pessoas - o equivalente a 18% da população mundial - não têm acesso a uma quantidade mínima aceitável de água potável, ou seja, água segura para uso humano. Se nada mudar no padrão de consumo, dois terços da população do planeta em 2025 - 5,5 bilhões de pessoas - poderão não ter acesso à água limpa. E, em 2050, apenas um quarto da humanidade vai dispor de água para satisfazer suas necessidades básicas.

A escassez de água não ameaça apenas com a sede. Traz a morte na forma de doenças. Segundo a ONU, 1,7 bilhão de pessoas não têm acesso a sistemas de saneamento básico e 2,2 milhões morrem a cada ano em todo o mundo por consumir água contaminada e contrair
doenças como diarréia e malária.
A água potável é um bem raro por natureza. Quase 97,5% da água que cobre a superfície da Terra é salgada. Dos restantes 2,5%, dois terços estão em estado sólido, nas geleiras e calotas polares - de difícil aproveitamento. A maior parte da água em estado líquido encontra-se no subterrâneo. Lagos, rios e lençóis freáticos menos profundos são apenas 0,26% de toda a água potável.
É dessa pequena fração que toda a humanidade (e boa parte da flora e fauna) depende para sobreviver. É claro que, a princípio, fontes não deveriam esgotar-se, com o ciclo da água garantindo a permanente renovação do volume de rios, lagos e lençóis freáticos por meio das chuvas, originadas pela evaporação dos mares. A água está em eterna reciclagem, há bilhões de anos. A questão é o descompasso entre o tempo necessário para essa renovação e o ritmo em que exploramos os recursos hídricos.

DESEQUILÍBRIO

O primeiro problema é o desequilíbrio na distribuição - um desequilíbrio que começa pela geografia física e segue pela economia. Alguns países têm muito mais água do que sua população necessita. É o caso do Canadá, da Islândia e do Brasil. Outros são situados em regiões extremamente secas, como o norte da África, o Oriente Médio e o norte da China.
Como resultado dessa má distribuição, um canadense pode gastar até 600 litros de água por dia, enquanto um africano dispõe de menos de 30 litros para beber, cozinhar, fazer a higiene, limpar a casa, irrigar a plantação e sustentar os rebanhos.
As populações que habitam as áreas mais áridas da Terra vivem o que se chama "estresse hídrico", uma reunião de fatores ambientais, como falta de chuvas, e socioeconômicos, como crescimento demográfico alto, que resulta em gente demais para água de menos.
A África Subsaariana não é de todo desprovida de recursos hídricos. Essa parte do continente é atravessada por grandes rios e, ainda que algumas áreas sofram períodos de seca, o índice pluviométrico de boa parte é alto. O problema é que os países da região não têm recursos de infraestrutura para aproveitar mais do que 3,8% do total de vazão de seus rios. Resultado: mais de 94% da água potável volta para o mar sem atender às necessidades da população.
Por essa razão, 22 desses países estão na lista dos 24 com maior estresse hídrico. São nações de acelerado crescimento demográfico e de poucos recursos para proteger os mananciais e oferecer saneamento básico aos habitantes. Em algumas localidades, um homem é obrigado a sobreviver com 10 litros de água por dia - pouco mais que o volume de água que escorre pelo esgoto a cada vez que um brasileiro usa a descarga.
Um dos cenários mais apavorantes de estresse hídrico é o que pode atingir a China, em 20 anos. O país reúne 20% da população mundial, mas detém apenas 7% dos recursos hídricos do planeta. O volume per capita de água ali é de um quarto da média mundial.
Metade do total de 660 cidades chinesas já sofre com a escassez e em 100 delas a falta é extrema. No norte árido, a extração de água do subsolo exauriu os lençóis freáticos. No sul, onde os recursos hídricos são mais abundantes, despejos industriais, de fertilizantes e esgoto doméstico já poluíram as águas dos sete maiores rios e contaminaram 25 de seus 27 grandes lagos. De cerca de 1,1 mil mananciais analisados, 25% apresentam água com qualidade abaixo dos padrões mínimos de potabilidade.
Segundo o Banco Mundial, se persistir a tendência de crescimento demográfico e industrialização, a China terá, em 2030, 30 milhões de habitantes sem água para matar a sede.
A escassez de água se deve, principalmente, ao mau uso que se faz dela. Estima-se que no mundo, de cada 100 litros de água utilizados, 60 se percam por causa de maus hábitos ou técnicas ineficientes. Exemplo disso é o desaparecimento do Mar de Aral, o lago salgado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central.
O lago, que era o quarto maior do planeta, possuia área equivalente à dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas, juntos, era até a década de 1960 um oásis na região deserta. Até que o governo da então extinta União Soviética resolveu desviar dois rios que desaguavam no lago para irrigar plantações de algodão. Hoje, o Aral já perdeu quase 70% de sua extensão e três quartos do volume de água.
O desastre foi completo, com extinção de espécies de peixes e de animais que viviam em suas margens, destruição da floresta que o cercava e supersalinização do solo, tornando-o improdutivo para sempre 
Mapa da escassez no mundo

DESASTRE ABIENTAL

O triste episódio do Aral - considerado por muitos o maior desastre ecológico de todos os tempos - mostra quanto a agropecuária é responsável pela crise. Ainda que as técnicas de plantio e irrigação tenham melhorado, as plantações consomem, em média, 69% da água do planeta. Para produzir 1 quilo de carne bovina são gastos 15 mil litros de água, e 1 quilo de trigo consome 1,5 mil litros.
Além disso, 60% da água usada na irrigação se perde ou porque evapora ou porque volta aos rios e lençóis subterrâneos.
 restante é dividido entre a indústria, que consome 21%, com processos que poderiam ser melhorados, e o consumo doméstico, responsável por 10% do total.


Medidas simples, como arrumar aquela torneira da pia da cozinha que não pára de pingar ou reduzir o tempo de banho, podem resultar em até um terço de economia. Nas cidades, uma boa quantidade de água é perdida, ainda, em vazamentos: as estimativas indicam que algo entre 30% e 70% da água que sai de um reservatório não chega a nenhuma torneira, mas escoa por encanamentos malconservados.


Mesmo regiões regadas por rios e lagos já apresentam disputas por água. Em 1991, a Hungria e a Tchecoslováquia submeteram à Corte Internacional de Justiça sua contenda sobre os desvios e a construção de diques no rio Danúbio, e um acordo foi assinado.Não é à toa que a água é disputada a bala. Há relatos de guerras declaradas em nome da água que datam no Egito Antigo. Segundo a ONU, existem mais de 200 bacias hidrográficas disputadas ou compartilhadas por 145 países. O Oriente Médio é pródigo nessa disputa. Há décadas, israelenses, palestinos, sírios e jordanianos brigam por água.
O motivo da disputa entre israelenses e palestinos são os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos tinham acesso a eles livremente. Mas a ocupação israelense acabou com isso. Israel também ocupou as Colinas de Golã, da Síria, onde ficam as nascentes do rio Jordão. Líderes de países da região, como Egito e Jordânia, já disseram que a guerra é aceitável para defender suas fontes de água.
Assim como esse documento, existem mais de 3,8 mil declarações e convenções unilaterais ou multilaterais sobre o uso da água. Desse total, 286 são tratados e 61 referem-se às bacias ocupadas por mais de um país. É o melhor modo de resolver a questão. Afinal, como a ONU diz, as lutas armadas por água são batalhas em que não há vencedor.
Ninguém tem uma solução mágica para a crise da água. Mas os especialistas são unânimes em afirmar que a única saída é aprendermos a gerir os recursos hídricos. Ainda mais se levarmos em conta o crescimento populacional. Do início ao fim do século XX, o consumo de água aumentou seis vezes - duas vezes acima do crescimento da população no mesmo período.

E a ampliação da população vai exigir mais água daqui para diante. Estima-se que, para alimentar os 8 bilhões de terráqueos em 2030, a produção de alimentos suba 60% - o que requer um aumento de 14% no consumo de água, comprometendo ainda mais o acesso à água para outras finalidades.
O alto índice de urbanização também demandará mais água para as cidades. O aumento da industrialização nos países em desenvolvimento exigirá mais energia, e mais hidrelétricas e barragens serão construídas, alterando o curso de mais rios - o que é um problema não mais só para o homem, mas também para as espécies vegetais e animais.
Segundo a organização ambientalista WWF, apenas um terço dos 177 rios com mais de mil quilômetros de extensão flui livremente para o mar. Barragens e represas, associadas à poluição das águas, colocam mais de 3 mil espécies entre as ameaçadas de extinção. Melhorar as condições sanitárias exige investimentos de 11,3 bilhões de dólares por ano.
Sem isso, a ONU não acredita que seja possível cumprir os objetivos assumidos por 191 países em 2000, na Declaração das Metas de Desenvolvimento do Milênio: estancar a pobreza, a fome, a mortalidade infantil, as doenças e a degradação ambiental até 2015.

A ÁGUA É NOSSA

O Brasil tem água potável suficiente para abastecer cinco vezes a população da Terra. Mas a distribuição pelo território nacional não é equilibrada.
Os números sobre os recursos hídricos brasileiros são um exagero. Os rios que cortam o Brasil carregam 12% do total de água doce superficial do planeta - o dobro de todos os rios da Austrália e Oceania, 42% a mais que os da Europa e 25% a mais que os do continente africano.
Mesmo contando com as épocas de seca, em que os rios reduzem muito sua vazão, temos água para satisfazer as necessidades do país por 57 vezes. Com todo esse volume, seria possível abastecer a população de mais cinco planetas Terra - 32 bilhões de pessoas -, com 250 litros de água para cada um por dia.
Mas, como ocorre em outras partes do mundo, aqui também os recursos hídricos são mal distribuídos: 74% de toda água brasileira está concentrada na Amazônia, onde vivem apenas 5% da população. Uma característica que as bacias têm em comum: todas sofrem com algum tipo de degradação por causa da ação do homem.
Afim de gerenciar os recursos hídricos brasileiros, a Agência Nacional das Águas (ANA) divide o país em 12 regiões hidrográficas, que correspondem a 12 bacias
 Veja o mapa


É com base nessa divisão que o governo federal calcula e gerencia a relação entre a oferta e a demanda de água no país. A gestão da rede hídrica nacional é fundamental para evitar a destruição dos recursos naturais e a repetição dos episódios de racionamento e blecaute que afetaram algumas regiões do país mais de uma vez.
A cada segundo, o Brasil retira de seus rios somente 3,4% da vazão total. Mas apenas pouco mais da metade disso é efetivamente aproveitada e não retorna às bacias. A região hidrográfica que mais consome água é a do Paraná, responsável por 23% do total. Na região Atlântico Nordeste Oriental, onde a maioria dos cursos de água é intermitente, as retiradas superam a disponibilidade hídrica.
Em algumas localidades, a água disponível por habitante não supera os 500 metros cúbicos por ano. Isso significa que cada cidadão da região sobrevive com um volume de água equivalente a um terço do volume que caracteriza o estresse hídrico, segundo a ONU: 1,7 mil metros cúbicos por ano. Como ocorre no restante do mundo, a maior parcela da água consumida no país vai para a agricultura
 veja o gráfico:
Aparentemente, sabemos tirar proveito da nossa riqueza hídrica. Mas ainda não conseguimos gerenciar adequadamente esses recursos, de modo a preservar sua quantidade e qualidade. Exemplo disso é o que ocorre nas regiões hidrográficas Tocantins-Araguaia e do Paraguai. A generosíssima oferta de água transforma a Região Centro-Oeste numa potência agropecuária. Ao mesmo tempo, o avanço das fronteiras agrícolas provoca imensos desmatamentos na floresta Amazônica, alterando o regime das chuvas, comprometendo a vazão dos rios e sobrecarregando os recursos naturais do Pantanal.
Muitos têm acesso à água - na média, 89% dos domicílios contam com abastecimento -, mas poucos possuem coleta de esgotos - 54% dos lares brasileiros. Pior, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnub, de 2006, 20% da população mais rica dispõe de serviços de saneamento comparáveis aos de países desenvolvidos.

No entanto, os 20% mais pobres vivem como o mais miserável vietnamita. O resultado disso é que os rios brasileiros recebem a cada dia, em média, um volume de esgoto doméstico 150 vezes maior que o produzido por uma cidade de 1 milhão de habitantes, como Campinas, no interior de São Paulo. Um terço do total desse despejo ocorre nos rios da bacia do Paraná que cortam áreas densamente povoadas.
Também somos mestres em obter energia a partir da força das quedas-d'água - cerca de 15% da energia que move a economia brasileira vem de hidrelétricas, consideradas limpas por não produzir resíduos ao ser gerada. No entanto, a construção de represas degrada ecossistemas e compromete a vazão dos rios.
Um estudo da organização ambiental WWF mostra que quatro grandes rios brasileiros - Madeira, Xingu, Paraguai e Araguaia - têm o fluxo ameaçado por projetos de construção de barragens. Segundo os ambientalistas, essas barreiras ao livre fluxo da água alteram o transporte de sedimentos e nutrientes pela correnteza, afetando diversos habitats e comprometendo a biodiversidade.

O DESVIO DO VELHO CHICO

De todos os projetos do governo para os rios brasileiros, o mais polêmico é a transposição de águas do São Francisco. O plano é desviar uma pequena parte da água do Velho Chico por canais e tubulações até as zonas semi-áridas do Ceará, de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
As críticas partem de todos os lados: ambientalistas, políticos, engenheiros e entidades de classe como a Ordem dos Advogados do Brasil. O temor maior é que as regiões banhadas pelo São Francisco passem pela mesma degradação ambiental sofrida pelo Aral, que vem secando inexoravelmente desde que dois rios que o abasteciam de água foram desviados para irrigação.
Questiona-se também até que ponto a obra vale a pena, pois beneficiaria apenas 5% da área do semi-árido, de solo pouco fértil, e poderia, em contrapartida, afetar as regiões que já contam com as águas do rio para abastecimento, irrigação e produção de energia. Além disso, os críticos acham que o desenvolvimento do semi-árido não depende de disponibilizar mais água, pois os açudes contêm o suficiente para o consumo.
Eles também não acreditam que a água transposta seja destinada prioritariamente ao consumo humano, em pequenas comunidades, pobres e isoladas, como deveria ser, mas, sim, à agricultura, geralmente nas mãos de quem tem poder político.
O governo garante que apenas o excedente do consumo humano será destinado à agropecuária e ainda se defende afirmando que a obra desviará apenas 1% do total de água que o São Francisco despeja no mar e, com isso, não alterará o abastecimento das regiões com acesso exclusivo ao São Francisco. Ao contrário, atenderá 9 milhões de brasileiros do semi-árido e transformará mil rios intermitentes em perenes.
No fim de junho, um batalhão de engenharia e construção do Exército deu partida à primeira fase das obras, ainda sob protesto e muitas dúvidas sobre sua eficácia e necessidade - dúvidas que persistem há mais de 150 anos, quando a transposição do Velho Chico foi proposta pela primeira vez, em 1847, por dom Pedro II.

UM MAR DE ÁGUA DOCE DE BAIXO DE NOSSOS PÉS
Serra da Gandarela em Minas Gerais: Um das mais importantes reservas aquíferas do Brasil ameçada pela mineração. (Saiba mais sobre ela)

Não bastasse o recorde de águas superficiais, o Brasil abriga também extensas reservas de água subterrâneas - 27 aqüíferos, ao todo.
O principal reservatório é o Aqüífero Guarani. Do 1,2 milhão de quilômetros quadrados de área total, 70% ficam em subsolo brasileiro, estendendo-se por oito estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os restantes 30% dividem-se pelos territórios uruguaio, paraguaio e argentino. Estima-se que o grande lago guarde 45 mil quilômetros cúbicos de água de excelente qualidade, o suficiente para abastecer de maneira sustentável 500 milhões de pessoas, mais que o dobro da atual população do Mercosul. Mas até hoje a exploração dessa reserva foi desordenada, o que leva ao desperdício e à ameaça de contaminação das águas por resíduos químicos provenientes, principalmente, de fertilizantes usados nas lavouras do Centro-Oeste e do oeste paulista.
Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram descobertos mais de 500 poços artesianos abandonados e abertos - o que permite a entrada direta de água de enxurradas. Afim de preservar esse valioso recurso, os quatro países "donos" do Guarani começaram a mapear o aqüífero, estratégico para o abastecimento do Cone Sul.
O Projeto de Proteção Ambiental e Manejo Sustentável do Aqüífero Guarani visa a traçar um plano de exploração num ritmo compatível com sua reposição natural, por infiltração pelo solo.
RESUMO

Água

ESCASSEZ NO MUNDO >> As reservas de água potável estão se esgotando rapidamente no mundo todo. Por um lado, a má distribuição natural dos recursos hídricos pelo planeta faz com que as populações de algumas regiões tenham mais água do que o necessário e outras precisem sobreviver com volume abaixo do considerado aceitável para uma vida saudável. O estresse hídrico - o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de água em determinada região - tem como motivo, também, a poluição dos rios e lagos. A ONU estima que mais de 1 bilhão de pessoas já vivam com pouca ou nenhuma água. As nações mais afetadas estão na África Subsaariana, no Oriente Médio e na China. A carência de água compromete a produção de alimentos, o crescimento econômico e a saúde da população. Cerca de 2,2 milhões de pessoas morrem anualmente em razão de doenças causadas por água infectada.

FARTURA NO BRASIL >> O Brasil detém 12% de toda a água superficial do planeta. Os rios que compõem as 12 regiões hidrográficas brasileiras carregam água suficiente para satisfazer as necessidades do país por 57 vezes. Mas aqui também existe grande desequilíbrio: 74% da água brasileira concentra-se na região da Amazônia, onde a densidade demográfica é muito baixa. Enquanto isso, áreas de alta concentração humana, como Sul e Sudeste, vivem perto do racionamento. E outras, como o sertão nordestino, dependem de rios intermitentes, que secam durante a estiagem. Todas as bacias sofrem, mais ou menos, alguma degradação, quer em razão da poluição por esgoto doméstico ou despejo industrial, quer por devastação das matas ou por atividades de mineração e construção.

AQÜÍFERO GUARANI >> Tem água suficiente para abastecer 500 milhões de pessoas e está sob o solo de oito estados brasileiros. Também é ameaçado de contaminação pela grande exploração desordenada.






quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Todos os olhos na Serra da Gandarela 

(ou Serra do Gandarela)


Ambientalistas e participantes de movimentos sociais apresentaram aos universitários da Faculdade de Ciências Biológicas da UFMG um dossiê sobre o andamento das atividades para futura exploração mineral da Serra da Gandarela (Ou Serra do Gandarela).

Anunciada como um investimento apoiado pelo então governador Aécio Neves, a exploração de minério de ferro na Serra da Gandarela pela Cia. Vale deve custar mais de 4 bilhões de reais. Os ambientalistas, integrantes do Conlutas e do Movimento pelas Serras e Águas de Minas, criticaram a postura do governo em apoiar o empreendimento, já que a obra nem sequer recebeu ainda aval do Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental), não tendo sido realizados estudos aprofundados sobre os impactos ambientais, sociais, arqueológicos e históricos.

A Serra da Gandarela (Serra do Gandarela), localizada entre Rio Acima, Santa Bárbara, Caeté e Ouro Preto (próximo à Serra de Catas Altas – outro refúgio ecológico), é um dos últimos remanescentes intactos do Quadrilátero Ferrífero. Nela são encontradas biomas como Mata Atlântica, Cerrado e ainda a vegetação de canga, típica de locais onde há minério. Esse tipo de vegetação, por causa do interesse econômico na exploração do minério de ferro, corre risco de desaparecer sem que sua biodiversidade seja conhecida e mapeada.

 foto: Leandro Durães


Outra questão preocupante, repetida diversas vezes pelos ambientalistas que conduziram a palestra, é o fato de que “onde há minério, há água”. Na Serra da Gandarela nascem importantes mananciais que abastecem as bacias do Rio Doce e do São Francisco. Os impactos da mineração sobre esses mananciais serão irreversíveis e não se sabe o que pode acontecer até mesmo com o fornecimento de água para Belo Horizonte.

Segundo o jornalista Gustavo Gazzinelli, do Movimento pelas Serras de Águas de Minas, a Serra da Gandarela é a mais significativa fonte de água limpa do Alto rio das Velhas, especialmente a montante da captação de Bela Fama, isto é, antes ou acima dela. A margem esquerda, por causa das atividades das minas do Pico (de Itabirito), Tamanduá, Capitão do Mato, Mar Azul e Capão Xavier, sofre uma redução do número de nascentes. E são exatamente essas águas do Velhas, da captação de Bela Fama, a principal fonte de abastecimento da cidade: 60% da água que abastece Belo Horizonte e cerca de 45% da água que abastece a Região Metropolitana.

 foto: Leandro Durães


Com a exploração da Mina Apolo, haverá uma barragem de rejeitos e uma pilha de estéril que devem afetar permanentemente a Serra da Gandarela. São 1800 hectares de obra (1800 campos de futebol)! A informação ainda não é oficial; aliás muito pouco se sabe sobre a obra porque a empresa mantém sigilo e pouco se manifesta. Na edição 54 da Revista do Projeto Manuelzão há mais detalhes sobre a obra, mas também nenhum pronunciamento daVale, que se negou a dar esclarecimentos mais aprofundados.

Água
O que se colhe aqui e acolá é que, com a Mina Apolo, a Vale quer garantir a continuidade de sua produção de minério de ferro, substituindo suas outras minas em Minas Gerais que já estão se esgotando: duas em Itabirito e a mina de Brucutu, em Barão de Cocais. O problema, segundo os ambientalistas, é garantir investimentos às custas de destruir fontes de recarga de água que já foram classificadas como “água tipo especial” e “água tipo 1”, ou seja, a água mais pura e limpa que existe.


O risco que se corre com a exploração do Quadrilátero Ferrífero até a sua exaustão é acabar com esses mananciais, que podem ser considerados patrimônios das "Minas de Águas Gerais", apelido que tem sido dado ao Estado pelos amantes de sua natureza .









 1 - Cristal de Água de um rio poluído.

 





 2 - Cristal de Água da nascente do último rio limpo do Japão

A água que se bebe na cidade já se encontra altamente clorada. Alguns abastecimentos de Minas já vem de parte poluída do Rio das Velhas que é submetido a um processo de desinfecção. Outros, que bebem água mineral, mal sabem como é o processo de retirada e envase dessa água. Aquela “água direto da fonte”, é muitas vezes uma fonte subterrânea, que é perfurada. Ali sai uma água quente que é resfriada. Que tipo de vida há nessa água que se bebe? (ou falta de vida?)

Essa água, como a água da Serra da Gandarela, que sai diretamente de nascentes, pura das raízes das plantas, filtrada pela terra, é um tipo de água incomum, que poucos hoje em dia tem a oportunidade de beber.








1- Cristal de água de lago poluído.    



 






 2- Cristal de água do gelo da Antártida










  
  1 - Água de torneira.

 




  2 - Água da Fonte.



  (A palestra mostrou ainda as ruínas que são encontradas na Gandarela. Ali era caminho de tropeiros que iam de Ouro Preto a Santa Bárbara, num dos trechos mais importantes da Estrada Real, único local de passagem da Serra do Espinhaço, conhecido como Bocaina. Animais como lobo-guará e pássaros silvestres também são encontrados. Enfim, um patrimônio não mapeado que corre risco, já que a obra da Mina Apolo já foi abraçada praticamente como coisa garantida pelo Governo do Estado, sem ter sequer ainda passado pelo processo regular de licenciamento. No ano passado, a Vale tentou licenciar a obra de forma fracionada para facilitar o processo, pleiteando um tipo de licença simplificado, a AAF- Autorização Ambiental de Funcionamento. Só que isso é ilegal. Uma obra desse porte precisa obter a licença nos moldes regulares: licença prévia, licença de operação, licença de instalação. A sociedade precisa ficar de olho.)

A questão do emprego

Sempre que se fala em investimentos, o que mais conta para a adesão popular a uma obra com impactos ambientais graves é a geração de empregos e o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado.

O que está cada vez mais claro em Minas Gerais, segundo alguns estudiosos do assunto, é que nem sempre o desenvolvimento que a mineração traz é um desenvolvimento sustentável. Cidades inteiras como Itabira são dependentes da exploração mineral, e quando a mina se esgota, a cidade, que se tornou mono-industrial, não tem alternativa de sobrevivência.

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Impactos sociais: 
inchaço de gente, de homens, o que aumenta violência e criminalidade;

 foto: Leandro Durães


Impactos ambientais: 
exaustão do lençol freático, poluição com a criação de uma barragem de rejeitos repleta de metais tóxicos, supressão da vegetação tanto na área da mina como em áreas do entorn. As siderúrgicas usam carvão, muitas vezes de mata nativa ou de plantações de eucalipto, para aquecer os auto-fornos. O fornecimento de lenha para siderúrgicas é a principal causa do desmatamento no Estado de Minas Gerais (e também do efeito estufa que acontece por causa da queima desse carvão);


 foto: Leandro Durães


 Impactos estruturais: 
Dependência permanente da empresa que depois sai e deixa a cidade sem rumo.
Ao problema das cidades mono-industriais, dependentes de uma empresa apenas, segue-se portanto a poluição e o baixo retorno em termos financeiros para a cidae que abriga a indústria minerária. O repasse do royaltie que é cobrado das empresas para beneficiar os municípios é ridículo se comparado aos impactos ambientais e sociais gerados pela mineração na cidade.

 foto: Leandro Durães


Esse royaltie (uma espécie de imposto de nome Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais - CFEM) - cai num fundo único, demora pra chegar na cidade e é a menor taxa sobre mineração do mundo. As empresas pagam menos de 3% sobre o valor do seu faturamento líquido (ou seja, menos de 3% de seu lucro). Austrália, Canadá, todos os países onde se minera tem taxas maiores. Não é a toa que as grandes empresas continuam querendo investir no Brasil, mesmo com as jazidas mais ricas de minério se acabando (hematita) e sobrando só um tipo de minério menos concentrado.
Mais uma vez o setor minerário vem com o antigo argumento que a mineração traz a redenção financeira para os pequenos municípios.
Um exemplo é Sarzedo, um pequeno município que vive da atividade mineradora, cujo o benefício foi mínimo para a cidade, que continua empobrecida e dependende de ajuda econômica federal.
Brumadinho também tem uma vocação de mineração, mas hoje tem diversificado entre o turismo ecológico, lá em Inhotim, visitado por turistas do mundo inteiro.
Outras cidades que viveram da mineração, como Igarapé, entre outras, as quais continuam empobrecidas e vendo os seus jovens buscando alternativa em Belo Horizonte.

 foto: Leandro Durães

E colabore com o movimento assinando a petição para a criação do Parque Nacional Serra Gandarela em: http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dFo1RHpPSGxncTUzR0p4eFd4NlBXOVE6MA


via Coluna Meio Ambiente