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quinta-feira, 22 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA ÁGUA: Em 30 anos Brasil pode ter problema de abastecimento de água




Se o consumo de água continuar no ritmo atual, em 30 anos o Brasil terá problemas sérios de abastecimento, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste. O alerta às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado nesta quinta-feira (22), é do professor e presidente do Instituto Internacional de Ecologia (IEE), José Galizia Tundisi. “Em algumas cidades já há uso competitivo da água a ponto de abastecimento público e produção de alimentos concorrerem pelo recurso.”
Segundo Tundisi, apesar de o Brasil ter 12% da água doce do mundo, a crescente demanda provoca aumento da poluição de rios, lagos e represas e pressiona fortemente os recursos hídricos. Ele salienta que a água está distribuída de forma desigual pelo País. Regiões como São Paulo, por exemplo, têm acúmulo de população e pouca reserva de água. Já no Amazonas, ocorre o inverso. Além disso, há a questão da exploração dos aquíferos, pois muitos não são bem explorados.


Para Tundisi com o aumento da pressão sobre os recursos hídricos, a resposta da natureza será mais lenta, provocando em determinados períodos escassez. “Tudo na água se resume a uma relação de disponibilidade e demanda. Se continuarmos utilizando acima da disponibilidade, as reservas vão diminuir e coloraremos o abastecimento em risco.”
Se no caso das águas superficiais a situação é complicada, a área de aquíferos também precisa de mais cautela. O professor critica o modo como as águas subterrâneas estão sendo exploradas no País. “Aquíferos estão sendo utilizados de forma indiscriminada, a recuperação não está acompanhando a demanda. Os recursos subterrâneos deveriam estar protegidos para serem utilizados como reservas para o futuro.” Ele lembra que, para piorar, a retirada de cobertura vegetal e impermeabilização dos solos, prejudicam a recarga e o ciclo natural demora mais que o normal.

Para Tundisi, falta ao País uma cultura de gestão de água integrada e nacional. Ele afirma que isso ocorre de forma setorial, com políticas locais, enquanto deveria ser nacional e integrada. “Existem boas iniciativas no Brasil, mas são todas pontuais e localizadas. Se fossem mais amplas, teríamos resultados mais efetivos.”
O especialista defende a gestão por bacia hidrográfica, respeitando as características específicas de cada uma e da região em que estão. “É preciso entender como cada bacia funciona, relacionar disponibilidade e demanda, analisar fontes de poluição, ter um banco de dados regional. Assim é possível fazer uma gestão sistêmica da água.” Segundo Tundisi, já existem comitês de bacias, mas eles ainda estão em fase de implantação. “Já está tudo mapeado, mas aqui as coisas são lentas.”
O especialista diz ser necessário mudar a visão mais imediatista dos governantes por uma que contenha uma estratégia de futuro. O professor adverte que o modelo atual de gestão do meio ambiente está relacionado a um tipo de economia, na qual o capital natural não está inserido. “Amazônia tem um grande potencial hidrelétrico, mas não adianta encher a região de usinas. Isso significa que estamos trocando evolução natural por economia. Precisa haver um equilíbrio, pois os efeitos podem ser irreversíveis. O capital natural é algo explorável, mas dentro de limites.” 
(Fonte: Portal Terra) via ambiente brasil

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

China alerta que falta de água ameaça sua economia

Por Leslie Hook | Financial Times, de Pequim


As autoridades chinesas emitiram um grave aviso em relação à escassez de água. No alerta, elas advertem que a situação piora a cada dia que passa e que mais de dois terços das cidades do país estão afetados.
A segunda maior economia do mundo está lutando para enfrentar os custos da degradação ambiental que vem acompanhando o crescimento econômico. O agravamento da escassez e da poluição da água representa uma crescente ameaça ao desenvolvimento econômico e social, disse ontem Hu Siyi, vice-ministro de Recursos Hídricos.
"As restrições das nossas fontes de água disponíveis ficam mais aparente a cada dia", disse Hu. "A situação é extremamente séria em diversas áreas. Com o excesso de desenvolvimento, o uso da água ultrapassou a capacidade de nossos recursos naturais."
"Se não adotarmos medidas fortes e firmes, será difícil reverter as graves escassezes e o agravamento diário da situação da água", acrescentou.
Pequim tentou lidar com a questão por meio de políticas que limitam o consumo, controlam a poluição e aumentam a monitoração de canais remotos. O governo também investiu enormes somas de dinheiro em conservação de água e sistemas de irrigação e gerenciamento, e planeja gastar 4 trilhões de yuans (US$ 638 bilhões) no setor ao longo dos próximos dez anos.
Ma Jun, um ativista ambiental e especialista em água, afirma que as políticas do governo têm ido na direção certa, mas fracassaram em contar a crescente demanda. "Nós construímos todas essas represas, estamos perfurando cada vez mais fundo para atingir aquíferos, muitas cidades estão construindo projetos de desvio de água. Sob certos aspectos, estamos atingindo nossos limites em termos de suprimento de água", disse Ma.
Um derramamento de metais pesados no rio Longjiang, no sul, recentemente pôs em evidência os desafios que o governo tem diante de si enquanto tenta resolver os problemas de poluição da água.
O derramamento de cádmio, que foi encoberto pelas autoridades locais, contaminou mais de 320 quilômetros do rio e tornou-se um grande assunto da mídia. Dois terços das cidades da China têm falta de água, quase 300 milhões de habitantes rurais não dispõem de acesso a água potável e dois terços dos lagos do país apresentam deficiências químicas causadas por poluição, de acordo com estimativas governamentais.
Ambientalistas afirmam que muitas das políticas para a água tiveram impacto limitado, devido à dificuldade em fazer a lei ser cumprida no interior, onde autoridades locais podem dar preferência ao crescimento do produto interno bruto - algo que há muito tempo é levado em consideração para promoções oficiais - em detrimento do respeito às diretrizes ambientais.
Num gesto raro para uma autoridade chinesa, Hu reconheceu algumas dessas limitações. "Se as nossas fracas políticas originais de administração de recursos hídricos forem mantidas, será difícil cumprir as urgentes demandas por água que são necessárias para melhorar a condição de vida das pessoas e para o desenvolvimento econômico", ele disse.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Água será o problema mais sério da próxima década, diz conselheiro britânico


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A falta de água pode se tornar o problema mais sério da próxima década, atrelada ao crescimento mundial da população, alertou o principal conselheiro científico do governo britânico, John Beddington.

As mudanças climáticas vão levar a mais secas e inundações, o que acarretaria problemas com o suplemento de água fresca. “Crescimento populacional, aumento da riqueza e da urbanização, e mudanças climáticas, tudo representa grandes problemas para a humanidade”, disse Beddington durante encontro global sobre clima e energias alternativas. “Mas a disponibilidade de água fresca será o primeiro problema a ser solucionado”, completou.
A população mundial de aproximadamente 6,6 bilhões de pessoas deve aumentar 2,5 bilhões até 2050. Segundo um estudo das Nações Unidas, em regiões da África, um contingente formado por 90 milhões a 220 milhões de pessoas enfrentarão problemas de suprimento de água já em 2020.
Segundo o conselheiro, cada país deveria focar em seus recursos naturais e de produção, além de tecnologias com baixas emissões de carbono, que, no caso do Reino Unido, envolvem a energia eólica e a nuclear. “Está bem claro que essas tecnologias serão importantes”, disse.
Sobre o recente anúncio do governo de cortar o orçamento para pesquisas científicas – o protesto público mais recente reuniu cerca de 2.000 pessoas no último domingo -, Beddington disse que preferiria ver um corte zero a qualquer mudança. (Fonte: Folha.com)
aprovveite e veja também isso: www.aguasdogandarela.org