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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

INTERVENÇÃO ARTÍSTICA VERDE


O coletivo de arte "Fluxuscetina" de Belo Horizonte, faz intervenções nas ruas da capital, chamando a atenção para a exploração descontrolada de minério em Minas Gerais e para a causa da criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela, última área verde ainda intacta do estado, de beleza exuberante e importância única para o Brasil, principalmente no que se refere aos recursos hídricos, pois a área possui centenas de nascentes que são responsáveis por 60% do abastecimento da região metropolitana da capital Belo Horizonte, regarregando importantes rios como o Rio Das Velhas e Rio Doce. Já postamos sobre a Gandarela aqui . 
Além desta intervenção em apoio ao movimento pela criação do parque, o grupo de artistas já possuem um histórico de trabalhos com o tema ecologia, como a intervenção de pregar interruptores nas arvores ameaçadas de corte nas cidades e também na própria Serra do Gandarela. 


Desta vez, usando amostras de minério, ou melhor, "Cangas", um tipo de rocha que recobre as montanhas de minério de ferro em MInas Gerais, que segundo os cientistas, são de extrema importância para a recarga hídrica com as chuvas e que estão entrando em extinção devido a exploração principalmente de ferro. 


De acordo com os pesquisadores, onde está o ferro que as mineradoras tanto cobiçam, está também a água que garante a vida, por causa da Canga. 
Fundamentado nisso e na importância de se preservar esta região, mostrando as conseqüências que nós nas cidades sofremos com esta exploração que além da Canga, também desmata equitares e equitares de floresta, para retirar o minério e para a construção de barragens de rejeitos.  
A ação fazia parte da programação da Semana Gandarela, o grupo de artistas montou base na praça da Savassi, ao lado do Mac Donald's e da operadora Vivo, onde um deles deitou-se em posição semelhante a um corpo em um homicídio, (que a perícia policial costuma marcar no chão com giz o contorno do corpo onde foi encontrado). Fazendo referência a isso, marcaram o chão na forma do corpo, utilizando os fragmentos de Canga e espalharam os cartazes abaixo:

 

Durante a intervenção, enquanto um dos integrantes pregava as plaquetas, outro registrava fotograficamente o processo e a reação dos transeuntes.  Um terceiro integrante colhia assinaturas e divulgava a causa da Gandarela.
Depois da intervenção com o minério, eles percorreram ruas e avenidas da cidade, fazendo uma segunda intervenção, agora nas árvores cortadas. Saíram pregando nos tocos das árvores, plaquetinhas de identificação de lápides do cemitério, porém o nome dos mortos eram espécies (nome científico) de árvores com sua data de nascimento e de morte, fazendo uma crítica ao corte indiscriminado de árvores na cidade pela Cemig, prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e moradores. Assim, o grupo diz que em sua ação, pretende convidar as pessoas para a reflexão sobre o corte indiscriminado de àrvores, comparando a morte destes gigantes seres vivos, com a morte de um ser humano. 


Segundo eles, durante o percurso, alguns achavam estranho ou não entendiam o que estavam fazendo, já outros elogiavam e apoiavam a idéia. Um deles se manifestou: "Ihh, vocês vão ter trabalho se for lá na Av. Cristiano Machado, lá eles cortaram uma fileira inteirinha da Avenida toda…", ao mesmo tempo que falava brincando também tinha o tom sério e triste da notícia. Segundo dados, mais de 2.000 àrvores foram cortadas na capital, que a cada dia se torna mais quente e seca, diferente do que já foi a aproximadamente 20 anos, quando a cidade ainda tinha o título de "Cidade Jardim" e era uma referência nacional no tratamento de Tuberculose e outras doenças respiratórias. Hoje, além de não poder mais ser esta referência, ao invés de tratar males respiratórios, causa estes mesmos nas pessoas que sofrem com essas maléstias, principalmente no inverno, quando a cidade praticamente não chove mais e já não faz mais frio. A situação alarmante tem movido artistas e movimentos sociais populares, a fazerem ações de protesto para chamar a atenção para o clima e degradação do meio ambiente. 


Se todos os artistas fizessem isso, talvez a grande maioria das pessoas já teria se conscientizado.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Todos os olhos na Serra da Gandarela 

(ou Serra do Gandarela)


Ambientalistas e participantes de movimentos sociais apresentaram aos universitários da Faculdade de Ciências Biológicas da UFMG um dossiê sobre o andamento das atividades para futura exploração mineral da Serra da Gandarela (Ou Serra do Gandarela).

Anunciada como um investimento apoiado pelo então governador Aécio Neves, a exploração de minério de ferro na Serra da Gandarela pela Cia. Vale deve custar mais de 4 bilhões de reais. Os ambientalistas, integrantes do Conlutas e do Movimento pelas Serras e Águas de Minas, criticaram a postura do governo em apoiar o empreendimento, já que a obra nem sequer recebeu ainda aval do Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental), não tendo sido realizados estudos aprofundados sobre os impactos ambientais, sociais, arqueológicos e históricos.

A Serra da Gandarela (Serra do Gandarela), localizada entre Rio Acima, Santa Bárbara, Caeté e Ouro Preto (próximo à Serra de Catas Altas – outro refúgio ecológico), é um dos últimos remanescentes intactos do Quadrilátero Ferrífero. Nela são encontradas biomas como Mata Atlântica, Cerrado e ainda a vegetação de canga, típica de locais onde há minério. Esse tipo de vegetação, por causa do interesse econômico na exploração do minério de ferro, corre risco de desaparecer sem que sua biodiversidade seja conhecida e mapeada.

 foto: Leandro Durães


Outra questão preocupante, repetida diversas vezes pelos ambientalistas que conduziram a palestra, é o fato de que “onde há minério, há água”. Na Serra da Gandarela nascem importantes mananciais que abastecem as bacias do Rio Doce e do São Francisco. Os impactos da mineração sobre esses mananciais serão irreversíveis e não se sabe o que pode acontecer até mesmo com o fornecimento de água para Belo Horizonte.

Segundo o jornalista Gustavo Gazzinelli, do Movimento pelas Serras de Águas de Minas, a Serra da Gandarela é a mais significativa fonte de água limpa do Alto rio das Velhas, especialmente a montante da captação de Bela Fama, isto é, antes ou acima dela. A margem esquerda, por causa das atividades das minas do Pico (de Itabirito), Tamanduá, Capitão do Mato, Mar Azul e Capão Xavier, sofre uma redução do número de nascentes. E são exatamente essas águas do Velhas, da captação de Bela Fama, a principal fonte de abastecimento da cidade: 60% da água que abastece Belo Horizonte e cerca de 45% da água que abastece a Região Metropolitana.

 foto: Leandro Durães


Com a exploração da Mina Apolo, haverá uma barragem de rejeitos e uma pilha de estéril que devem afetar permanentemente a Serra da Gandarela. São 1800 hectares de obra (1800 campos de futebol)! A informação ainda não é oficial; aliás muito pouco se sabe sobre a obra porque a empresa mantém sigilo e pouco se manifesta. Na edição 54 da Revista do Projeto Manuelzão há mais detalhes sobre a obra, mas também nenhum pronunciamento daVale, que se negou a dar esclarecimentos mais aprofundados.

Água
O que se colhe aqui e acolá é que, com a Mina Apolo, a Vale quer garantir a continuidade de sua produção de minério de ferro, substituindo suas outras minas em Minas Gerais que já estão se esgotando: duas em Itabirito e a mina de Brucutu, em Barão de Cocais. O problema, segundo os ambientalistas, é garantir investimentos às custas de destruir fontes de recarga de água que já foram classificadas como “água tipo especial” e “água tipo 1”, ou seja, a água mais pura e limpa que existe.


O risco que se corre com a exploração do Quadrilátero Ferrífero até a sua exaustão é acabar com esses mananciais, que podem ser considerados patrimônios das "Minas de Águas Gerais", apelido que tem sido dado ao Estado pelos amantes de sua natureza .









 1 - Cristal de Água de um rio poluído.

 





 2 - Cristal de Água da nascente do último rio limpo do Japão

A água que se bebe na cidade já se encontra altamente clorada. Alguns abastecimentos de Minas já vem de parte poluída do Rio das Velhas que é submetido a um processo de desinfecção. Outros, que bebem água mineral, mal sabem como é o processo de retirada e envase dessa água. Aquela “água direto da fonte”, é muitas vezes uma fonte subterrânea, que é perfurada. Ali sai uma água quente que é resfriada. Que tipo de vida há nessa água que se bebe? (ou falta de vida?)

Essa água, como a água da Serra da Gandarela, que sai diretamente de nascentes, pura das raízes das plantas, filtrada pela terra, é um tipo de água incomum, que poucos hoje em dia tem a oportunidade de beber.








1- Cristal de água de lago poluído.    



 






 2- Cristal de água do gelo da Antártida










  
  1 - Água de torneira.

 




  2 - Água da Fonte.



  (A palestra mostrou ainda as ruínas que são encontradas na Gandarela. Ali era caminho de tropeiros que iam de Ouro Preto a Santa Bárbara, num dos trechos mais importantes da Estrada Real, único local de passagem da Serra do Espinhaço, conhecido como Bocaina. Animais como lobo-guará e pássaros silvestres também são encontrados. Enfim, um patrimônio não mapeado que corre risco, já que a obra da Mina Apolo já foi abraçada praticamente como coisa garantida pelo Governo do Estado, sem ter sequer ainda passado pelo processo regular de licenciamento. No ano passado, a Vale tentou licenciar a obra de forma fracionada para facilitar o processo, pleiteando um tipo de licença simplificado, a AAF- Autorização Ambiental de Funcionamento. Só que isso é ilegal. Uma obra desse porte precisa obter a licença nos moldes regulares: licença prévia, licença de operação, licença de instalação. A sociedade precisa ficar de olho.)

A questão do emprego

Sempre que se fala em investimentos, o que mais conta para a adesão popular a uma obra com impactos ambientais graves é a geração de empregos e o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado.

O que está cada vez mais claro em Minas Gerais, segundo alguns estudiosos do assunto, é que nem sempre o desenvolvimento que a mineração traz é um desenvolvimento sustentável. Cidades inteiras como Itabira são dependentes da exploração mineral, e quando a mina se esgota, a cidade, que se tornou mono-industrial, não tem alternativa de sobrevivência.

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Impactos sociais: 
inchaço de gente, de homens, o que aumenta violência e criminalidade;

 foto: Leandro Durães


Impactos ambientais: 
exaustão do lençol freático, poluição com a criação de uma barragem de rejeitos repleta de metais tóxicos, supressão da vegetação tanto na área da mina como em áreas do entorn. As siderúrgicas usam carvão, muitas vezes de mata nativa ou de plantações de eucalipto, para aquecer os auto-fornos. O fornecimento de lenha para siderúrgicas é a principal causa do desmatamento no Estado de Minas Gerais (e também do efeito estufa que acontece por causa da queima desse carvão);


 foto: Leandro Durães


 Impactos estruturais: 
Dependência permanente da empresa que depois sai e deixa a cidade sem rumo.
Ao problema das cidades mono-industriais, dependentes de uma empresa apenas, segue-se portanto a poluição e o baixo retorno em termos financeiros para a cidae que abriga a indústria minerária. O repasse do royaltie que é cobrado das empresas para beneficiar os municípios é ridículo se comparado aos impactos ambientais e sociais gerados pela mineração na cidade.

 foto: Leandro Durães


Esse royaltie (uma espécie de imposto de nome Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais - CFEM) - cai num fundo único, demora pra chegar na cidade e é a menor taxa sobre mineração do mundo. As empresas pagam menos de 3% sobre o valor do seu faturamento líquido (ou seja, menos de 3% de seu lucro). Austrália, Canadá, todos os países onde se minera tem taxas maiores. Não é a toa que as grandes empresas continuam querendo investir no Brasil, mesmo com as jazidas mais ricas de minério se acabando (hematita) e sobrando só um tipo de minério menos concentrado.
Mais uma vez o setor minerário vem com o antigo argumento que a mineração traz a redenção financeira para os pequenos municípios.
Um exemplo é Sarzedo, um pequeno município que vive da atividade mineradora, cujo o benefício foi mínimo para a cidade, que continua empobrecida e dependende de ajuda econômica federal.
Brumadinho também tem uma vocação de mineração, mas hoje tem diversificado entre o turismo ecológico, lá em Inhotim, visitado por turistas do mundo inteiro.
Outras cidades que viveram da mineração, como Igarapé, entre outras, as quais continuam empobrecidas e vendo os seus jovens buscando alternativa em Belo Horizonte.

 foto: Leandro Durães

E colabore com o movimento assinando a petição para a criação do Parque Nacional Serra Gandarela em: http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dFo1RHpPSGxncTUzR0p4eFd4NlBXOVE6MA


via Coluna Meio Ambiente

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Estamos na lista de 10 florestas mais ameaçadas. É claro.


A ONU fez de 2011 o Ano Internacional das Florestas para poder alertar o mundo todo sobre a necessidade de conservá-las. A ONG Conservação Internacional aproveitou e divulgou uma lista com as florestas mais ameaçadas de extinção no mundo.
A ONG levou em consideração só áreas que tenham riqueza biológica extrema, índice elevado de espécies únicas de animais ou plantas. Além da degradação e alta possibilidade de desaparecer. Esses locais são chamados de “Hotspots” e a CI diz que eles já perderam cerca de 90% da sua cobertura original, cada uma.
A lista:

O Brasil, infelizmente, está no Top 5 por conta da Mata Atlântica, que abriga cerca de 20 mil espécies de plantas e ocupa só 8% do que sua cobertura original já foi.
“As florestas estão sendo destruídas a uma taxa alarmante para dar lugar a pastagens, plantações, mineração e expansão de áreas urbanas. Com isso, estamos destruindo nossa própria capacidade de sobreviver,” diz Olivier Langrand, diretor de política internacional da CI.
A ONG faz questão de lembrar que as florestas são essenciais para fornecimento de água e também tem contribuição direta para a estabilização do clima. Eles dizem que os dez hotspots florestais mais ameaçados armazenam mais de 25 gigtatons de carbono. E o desmatamento, por outro lado, representa aproximadamente 15% das emissões totais de gases do efeito estufa.
O alerta também foi dirigido aos governos, para fazê-los repensarem seus programas de proteção e preservação. Lagrand completa “Florestas saudáveis nos oferecem os melhores meios econômicos para enfrentar os diversos desafios ambientais da mudança climática e a crescente demanda por produtos florestais”.
Via Planeta Sustentável / Imagem